Monday, November 13, 2006

new feeling


Tarefa fácil poetar o abstrato, escrever o que a imaginação permitir é moleza, sem limites, sem editores, o cérebro é muito rico nessas horas. Quando o abstrato se concretiza a situação se inverte, tem-se que trabalhar com a memória, as lembranças, os fatos e qualquer deslize ou simples esquecimento pode tirar a veracidade dos acontecimentos, mutilá-los, ludibriá-los. Antes eu sabia o que sentia, conhecia meus sentimentos, criava expectativas infantis, é verdade, mas eu as dominava e agora... agora estou aqui, pensando, querendo saber o que foi aquilo, o que levou àquilo e, não sei, paro de pensar, cansa! Escuto uma música, lembro do cigarro e, porra! Faltam duas horas pro meu almoço. Durante o dia só posso fumar na hora do almoço e com a mão esquerda!!! Fico com água na boca e lembro novamente do sábado e toda sua loucura, corpos colados, The Dreamers, edredom, respiração ofegante, pulsar dos corações, o inevitável se fazendo mais forte, a atmosfera de Bertolucci rompendo a tela – vida imitando arte, arte imitando vida – e a realização de desejos escondidos, secretos, fins justificando meios, vive-versa.
No outro dia pensei: “Esse foi o sexo mais próximo do se vê em uma novela que já fiz”. Mas não achei boa a comparação, ela empobreceu o ocorrido que, por essas denominações torna-se marginal, ou vergonhoso. E eu não tenho vergonha, no no no!! Mas eu não sei se tenho orgulho, mesmo. Por algumas vezes eu escutei dentro de mim gritos como “Pare, seu louco! Vocês estão indo longe demais”, resquícios de uma consciência que eu não queria usar, consciência mais fraca que o desejo, a libido, aquilo que é criado nas glândulas e expelido pelos poros, tubos e cavernas, molhando, unindo ainda mais, aumentando o nível de êxtase e excitação; o medo de me arrepender (só posso falar por mim) logo no fim – o que não ocorreu! – tirava do meu peito o fôlego, só recuperado com um novo beijo, outro, seguidos, sem fim.
E em meio a essa explosão de coisas, sentimentos e novidades, me vejo analisando a realidade:

Ah! Não há na vida nada melhor que a lucidez, e a liberdade, e a não cobrança, e o clímax, e as preliminares, e o cigarrinho, e o...